sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Porque hoje é sexta-feira...

(...e chove como eu gosto)
não há nada como um poema novinho em folha que descobri hoje.


Leio o amor no livro
da tua pele; demoro-me em cada
sílaba, no sulco macio
das vogais, num breve obstáculo
de consoantes, em que os meus dedos
penetram, até chegarem
ao fundo dos sentidos. Desfolho
as páginas que o teu desejo me abre,
ouvindo o murmúrio de um roçar
de palavras que se
juntam, como corpos, no abraço
de cada frase. E chego ao fim
para voltar ao princípio, decorando
o que já sei, e é sempre novo
quando o leio na tua pele.

Nuno Júdice

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eu quero uma vida em forma de olhos num gancho de luz e de riso



Quero uma vida em forma de nada e de coisa nenhuma



em forma de vela acesa no fundo do mar



em forma de azul num telhado de vento



em forma de mãos e dedos marcados no ar



Quero uma vida em forma de barco voador



em forma de lápis conversador



de louco roxo que me gela



em forma de terra fugidia



de folhas e texto de sol



Quero uma vida em forma de pulseira e coroa de sal



em forma de ir e ficar



voltar e permanecer



de onda parada em fogueira de àgua



Quero uma vida em forma de mim



Eu tenho-a



mas aínda não sou eu...
Eu quero uma vida em forma de olhos num gancho de luz e de riso

domingo, 19 de outubro de 2008

Fim de semana

Já tinha saudades do Oceanário e ... voltei lá este sábado.

Faltou esta!

Quase, quase, quase

...está quase a acabar o plano de formação... Dia 19 de Dezembro...
Para além desta, posso saber por que razão nunca mais ninguém cá veio?...

Medo


Medo

Lenine e Julietta Venegas

Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

O segredo


Aqui, o cartaz
...
e aqui, algumas fotos do teatro!


A audiência foi fantástica, nós esforçámo-nos bastante nos ensaios, e o resultado... (quase) perfeito.
Devemos agradecer ao Centro da Juventude de Caldas da Rainha e, claro, ao prof. David Figueira que, para além de autor do texto foi incansável nesta recta final do ano lectivo.
E claro que ficámos com todos os créditos!!